Por Um Brasil Menos Preconceituoso
Eu juro que não queria entrar nesse assunto, pois me parece muito delicado, polêmico, principalmente para os habitantes dos estados do sul do país. No entanto, em meio as minhas elucubrações e devaneios, e muito atento ao que as pessoas diziam a respeito dos nordestinos, resolvi tomar partido. Ora, do que adiantará minhas leituras e raciocínios vários se não servir para ajudar desmontar preconceitos e clarear as mentes. Muita pretensão da minha parte, mas o crescimento tem de ser contínuo e conjunto se quisermos ter um país mais digno. Quem for contra o que seguirá nas próximas linhas estarei aberto para ao dialogo que será, aliás, muito construtivo.
Voltemos sem demora ao assunto.
Desde que aqui cheguei, fiquei deveras deslumbrado com esse Estado, mui belo e com pessoas também deveras belas. Por vários momentos pensei em não estar no Brasil. Por vários lugares ouvia pessoas conversando em alemão, italiano ou em alemaliano (palavra que criei para exemplificar as pessoas que diziam frases ora em alemão, ora em italiano). O que chamou mais minha atenção é o fato que muitas dessas famílias já estão aqui a várias gerações e não se dizem brasileiros, muito pelo contrário, estufam o peito ao dizerem seus sobrenomes complicados como se fossem títulos de nobreza. Todavia, essas pessoas com certeza não sabem o motivo pelo qual seus ancestrais vieram aportar na terra brazilis.
Esta é outra história que caberá a quem tiver espírito investigador descobrir. Adiantemos, porém que não foi por riqueza acumulada, e sim por falta dela, e muito menos para construir indústrias, talvez fosse apenas para ter um lugar onde morar e ter o que comer.
Desculpe-me novamente, saí outra vez dos trilhos que me propus a discutir, pois esse texto não se propõe a ser extenso e nem discutir a vinda dos emigrantes europeus, mas sim porque alguns “europeus” se acham superiores em relação aos habitantes de outras regiões do país.
Uma pergunta talvez venha a calhar. Quem construiu e constrói ainda hoje metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro, ou melhor, quem desmatou muito da floresta tropical, contaminou rios com dejetos vários e agora está destruindo o norte de Mato Grosso e parte da floresta amazônica para o cultivo de soja, criação de gado, e extração de madeira que, aliás, muitas dessas práticas são ilegais?
Bom. A resposta o leitor sabe sem a menor sombra de dúvidas: quem construiu e constrói São Paulo e Rio e tantas outras cidades, como Brasília, por exemplo, foram em sua grande parte pessoas oriundas dos estados do Norte e Nordeste do País. E quem contaminou vários dos seus rios com desejos suínos e invadem a Amazônia e Mato Grosso para plantar soja, criar e devastar, são? Uns “europeus” ávidos por dinheiro que só porque os habitantes de determinada região talvez não tenha a mesma obsessão, a mesma gana por dinheiro são chamados de vagabundos, preguiçosos, entre outros nomes pejorativos que me recuso escrever.
Todavia, esta mesma região de “preguiçosos” produz música, literatura, arte fantásticas, e grande parte dos atores que compõem os meios de comunicação de massa que você assiste a sua novela também tem atores nordestinos.
Este apelo é para chamar a atenção que cada lugar, cada região desse país de dimensão continental, é em sua essência proveniente da mistura: sejam alemães, italianos, negros, índios, caboclos, japoneses, portugueses, polacos, russos, espanhóis, etc. e que devemos respeitar suas particularidades e idiossincrasia.
Por fim, já estamos sentindo na pele os efeitos do capitalismo; como violência, na forma de obtenção de dinheiro para a compra de bens que a sociedade de consumo impõe como essencial, seja na forma de aquecimento global, que como sabemos está desmantelando o planeta, seja na contaminação dos rios, seja na contaminação de nossas mentes quando julgamos um povo inferior por não ter, ou não querer ter, a mesma visão de trabalho, de vida, de relacionamento como outros, e que procuram acima do dinheiro, ser felizes.
Escrito por enoquejunior às 15h26
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|