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Blog de enoquejunior


Divertimento, uma saída possível

 

 

“O homem tem-se divertido muito pouco: esse é meus irmãos. O único pecado original. E, quando aprendemos melhor a divertimo-nos, esquecemo-nos melhor de fazer mal aos outros e de inventar dores”.

Essa frase, mais parecida com um mandamento para o bom viver, escrita no século passado por Nietzsche em seu Zaratustra, retrata fielmente nossa realidade cotidiana. O que temos feito com mais freqüência ultimamente? Mal aos outros, adoecendo e principalmente trabalhando. E para quê tanto trabalho? Para sustentar um sistema despótico que a cada dia nos transforma mais em máquinas e menos em homens.

No seu inicio, o capitalismo parecia ser a grande panacéia mundial; mais produção, barateamento dos bens e facilidade de consumo para pessoas menos favorecidas.  Infelizmente a realidade é outra. O que temos afinal? Temos os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres, e os pobres brigando desesperadamente para se tornarem ricos, e nessa briga vale tudo, até mesmo prejudicar pessoas. E o problema não pára por aí. Na triste ilusão de uma vida mais “cômoda” as pessoas se dedicam exclusivamente ao trabalho, esquecendo amigos, família, lazer, etc. Sempre descontentes com seus salários, pois, o dinheiro nunca sobra para comprar o último carro, ou a TV de tela grande, ou aquela casa luxuosíssima que de tantos cômodos mais parece um labirinto.

O capitalismo que poderia ser a maior fonte de produção e riqueza para a humanidade transformou-se em seu algoz. Nunca trabalhamos tanto, nunca convivemos tão pouco com nossos entes queridos. Na busca incessante do dinheiro estamos suplantando nossa ausência com presentes caros e sofisticados.

Mas é disso que realmente precisamos? Precisamos na verdade é de atenção, afeto, uma boa conversa, ou mesmo nos reunirmos para falar trivialidades. É chegada a hora para compreendermos que esse sistema no qual estamos inseridos só tem nos feito mal, nos adoentado e nos distanciado tanto dos nossos quanto a terra da lua.

Diz-se que o trabalho dignifica o homem, no entanto, permaneço com Nietzsche ao dizer: Trabalhe-se ainda porque o trabalho é uma distração; mas faz-se de modo que a distração não debilite.



Escrito por enoquejunior às 20h32
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