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Blog de enoquejunior


QUANTO VALE UMA VIDA?

 

Foi com pesar que peguei a pena hoje para escrever e tentar compreender melhor essa pergunta que me fiz ao acordar. Quanto vale uma vida?

Ouvimos muitas pessoas dizerem que a vida é algo imensurável, um bem que dinheiro nenhum no mundo pode pagar, mas a meu ver as coisas não são bem assim. Uma vida hoje está valendo muito pouco, e em algumas circunstâncias parece não ter valor nenhum.

Muitas vezes a vida equivale ao valor das pastilhas de freio de um automóvel, pois na idéia de economizar uns trocados não são trocadas quando se deveria, ou quando são trocadas são por de baixa qualidade, baratas.

Outras vezes a vida custa o mesmo preço de pneus novos, da mesma forma que as pastilhas, não são trocados quando se precisa e de tão carecas não param quando se freia o carro. Também a vida vale exatamente o valor de um capacete, quando não se usa, ou quando se usa e ele é maior que a cabeça do piloto, pois numa colisão 96% das vezes ele voa não protegendo nada. Ela custa também alguns minutos, quando o motorista na ânsia de chegar logo ao seu destino acelera mais que o permitido e faz ultrapassagens perigosas. Vale também alguns minutos para o pedestre que não esperando o sinal vermelho entrecruza carros fazendo ziguezague.

Muitas vezes ela vale somente um som, “clic”, é o barulho do cinto de segurança sendo encaixado na trava. Freqüentemente ela equivale a R$ 3,00. Sim! R$ 3,00. É mais ou menos o valor daquela cervejinha a mais que se bebe tirando as últimas condições para se dirigir com prudência. Às vezes ela vale uma palavra: “Não!”. A palavra que o pai negou ao filho menor de idade e sem habilitação quando emprestou seu carro. Às vezes ela vale R$ 50,00; é a propina que o guarda de trânsito aceita ao não multar o “cidadão” que tem irregularidades no seu veículo.   

Uma vida tem o valor dos desvios e da roubalheira dos nossos representantes no governo, pois esse dinheiro poderia ser aplicado na melhoria das estradas estaduais e federais de nosso país.

E quem é o culpado de tudo isso? Eu, você? Deus? O Diabo? Quem? Hoje amanheceu chovendo. Será que é o pesar da natureza por tanta brutalidade humana? Será que é a tristeza das pessoas condensada em forma de chuva representando lágrimas? Não sei! Até quando vamos chamar de acidentes esses assassinatos no trânsito? Até quando vamos lavar as estradas de nosso país com sangue inocente? Destruir famílias, futuros? Não posso responder a nenhuma dessas questões, ou melhor, talvez uma, a primeira. Quanto vale uma vida? Muito pouco.

 



Escrito por enoquejunior às 14h52
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EXISTE ALTRUMISMO PURO NO MUNDO MODERNO?

 

Atruísmo palavra percebida como sinônimo de solidariedade, foi criada em 1830 pelo filosofo francês Augusto Comte para caracterizar o conjunto das disposições humanas (individuais e coletivas) que inclinam os seres humanos a dedicarem-se aos outros. Esse conceito opõe-se, portanto, ao egoísmo, que são as inclinações específica e exclusivamente individuais (pessoais ou coletivas).

Na doutrina comtiana, o altruísmo pode apresentar-se em três modalidades básicas: o apego, a veneração e a bondade. Do primeiro para o último, sua intensidade diminui e, por isso mesmo, sua importância e sua nobreza aumentam. O apego refere-se ao vínculo que os iguais mantêm entre si; a veneração refere-se ao vínculo que os mais fracos têm para com os mais fortes (ou os que vieram depois têm com os que vieram antes); por fim, a bondade são os sentimentos que os mais fortes têm em relação aos mais fracos (ou aos que vieram depois)

E hoje, será que o altuísmo pode ser ainda dividido das três formas que Comte a enumerou  no início século XIX (apego, veneração e bondade)? No mundo individualista em que estamos inseridos será que o altruismo ainda permanece antômino  de egoismo, ou se tornou uma espécie de egoismo disfarçado?

Cada cultura, dependendo de sua relação com o mundo exterior, tem desenvolvido em seu seio sentimentos que para outras sociedades não tem o mínimo valor. Em sociedades fechadas, por exemplo, é grande a prática de um altruísmo desinteressado, do tipo comtiano, tendo em vista que sem a ajuda coletiva seria praticamente impossível a sobrevivência do grupo. Por outro lado, esse tipo de altruísmo está cada vez mais raro em sociedades capitalistas, onde a busca pelo capital faz com que de algum modo não nos importamos muito se nosso vizinho está passando necessidades ou não.

Esse desinteresse pelo próximo, visto no sistema neoliberal, dá margem a três novos modos de altruísmo: (horizontal, vertical e de auto-satisfação). Essas formas de altruísmo muito praticadas no sistema capitalista sempre visam algo em troca: merchandising, promoção pessoal, satisfação pessoal, divulgação de marca, etc. É nesse sentido que o altruísmo passa a ser sinônimo de egoísmo, pois não há mais aquela ajuda ou auxílio desinteressado como nas regiões afastadas, pelo contrário, o altruísmo passa a ter um interesse implícito. Esses três tipos, ao contrário dos de Comte, não têm nada de bom e mostram as modernas práticas “altruísticas”.

Primeiro, é um altruísmo que é particularmente ligado à dominação e relação de poder. É quando uma pessoa ajuda outra pura e simplesmente para haver por parte da pessoa ajudada o sentimento de dívida, de débito, de submissão. Esse tipo de altruísmo é característico de pessoas que querem obter aliados ou subordinados em suas negociatas ou simplesmente para humilhá-las de alguma forma. O segundo tipo de altruísmo que vemos com bastante freqüência é um altruísmo que pode ser caracterizado como vertical. É uma espécie de altruísmo invisível, mas decifrável. Encontramos com freqüência cada vez maior nas pessoas que visam ajuda “divina”. Escondem-se atrás da idéia de que “Deus ajuda quem ajuda os outros”. Essa espécie de altruísta precisando de alguma ajuda dos céus faz algum tipo de beneficio a outrem, esperando com certeza algo em troca; como ajuda para conseguir emprego, para curar doença, conquistar o pretendido, como forma de resignação, etc. Por último, há um grupo de pessoas que ajudam outras não para exprimirem poder sobre elas, nem para angariar ajuda divina. Esse tipo é caracterizado por aqueles que, não sendo muito honestos, fazem caridades, doações volumosas, campanhas beneficentes, etc. para sentirem aquela espécie de “leveza por dentro”, descarrego de consciência ou de dever cumprido quanto cidadão.

E “teoricamente” tem o tipo puro de altruísta é aquele que ajuda as pessoas pensando em um mundo melhor, mais digno, solidário, mas esse é um tipo raro que talvez não faça mais parte de nosso tempo, mas que um dia ainda pretendo conhecer.



Escrito por enoquejunior às 12h44
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