Sonhar. Uma Outra Saída!
A vida é algo fantástico, uma coisa louca. Muitos indo, outros vindo numa constante sinfonia de despedidas, nascimentos, lágrimas, saudades e reencontros. Muitos filósofos e muitos não filósofos questionaram e questionam o valor e o sentido da vida. Muitos levantaram hipóteses diversas: aproveitar cada dia como se fosse o último (hedonismo), viver na humildade e na resignação, pois essa vida é somente uma preparação para outra melhor ou pior (céu ou inferno do Cristianismo), outras nos pedem a aceitar o sofrimento como o pagamento de uma possível má conduta numa vida passada (kardecismo), entre outros.
Loucura essa vida nossa! Mas o sonho é algo importante na vida independente de qual dessas teses se acredite. Em nossa vida temos que ter um norte, mesmo que ele esteja meio deturpado pela bússola da nossa indecisão. Um sonho deve ser como a água e o ar que nos mantêm vivos, o sonho deve ser o alimento do espírito, da alma, do Eu interior.
A inércia que a dúvida suscita fustiga e esmaga o sonho. Temos medo que o que sonhamos seja deveras utópico e inverossímil, e só imaginamos sua realização e muitas vezes não nos dispomos em ir busca dele. Mas o sonho sempre deve ter companheiros e entre eles temos a ação e a esperança.
Muitos abandonam família para tentar uma vida melhor em outros países ou vão para grandes centros desejando realizar aquilo que concederam por sonho, outros ficam em seus próprios lugares e também encontram a sua felicidade. Mas o importante é buscar realizar nossos sonhos. A maior frustração do homem não está em se arrepender daquilo que sonhou, mas em nunca ter sonhado e vivido uma vida sem um sentido, um propósito.
Em sua imanência o homem sempre busca o melhor para si e para os seus. O problema muitas vezes se encontra fora; na sociedade que recebe como ideal de sonho aquilo que está posto pelos sistemas econômicos, pela influência da mídia, pelos aparelhos ideológicos de Estado. Foi Rousseau quem sempre disse que o homem é bom por natureza e é a sociedade que o corrompe, isso me parece muitas vezes plausível quando percebo homens e mulheres se expondo ao ridículo para aparecerem em programas que os satirizam e os ridicularizam e se intitulam pessoas realizadas.
Penso que um dos destinos do homem está em realizar sonhos. Mas este sonho deve estar imbuído de uma força de vontade e uma certeza tal, que sonho, esperança e ação se transforme numa ação dialética infinita, onde esses três elementos alimentam-se e energizam-se constantemente. Os sonhos, ou metas que pusermos em nossa vida deve ser a razão da nossa felicidade, a busca constante de aperfeiçoamento moral e intelectual, assim como a formula Nietzsche: A fórmula da Minha felicidade: um sim, um não, uma linha reta, uma meta.
Escrito por enoquejunior às 17h01
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
A TRISTE INFLUÊNCIA DA MÍDIA NA SOCIEDADE
“O mundo inteiro é forcado a passar pelo crivo da indústria cultural”. Essa Frase de Adorno revela o grau de alienação que chegou o mundo em nossos dias.
Nunca na história da humanidade tivemos acesso a tanto conhecimento: internet, rádio, jornais, televisão etc. O homem moderno com a ajuda tecnológica pode saber o que acontece no mundo numa velocidade jamais vista. Culturas inteiras podem ser influenciadas pelo modo de pensar de jornalistas, editores, locutores, apresentadores etc. Tanto o homem comum como o intelectual podem ser influenciados consciente ou inconscientemente pelos pontos de vistas desses meios de comunicações. Uma das formas de persuasão encontra-se divulgando falsas informações, ou simplesmente selecionando as informações que modificam o julgamento de seus interlocutores sobre as coisas e, através disso, até sua conduta.
A facilidade em alcançar o conhecimento por meio dos aparelhos midiáticos não quer dizer que o homem saiba mais em comparação ao homem do século XVIII, por exemplo. Parece sim que o caminho é inverso. O homem tem involuido sistematicamente com o avanço da tecnologia. Uma possível explicação para esse paradoxo talvez seja encontrado em outro lugar: na economia.
Marx já afirmava que a economia é motor da história. Pode-se alegar que no século XVIII já vigorava o capitalismo. Mas o problema é outro. Nessa época não tínhamos a influência dos recursos áudios-visuais que possuímos hoje, e muito menos da monstruosa produção cada dia mais renovada de artigos supérfluos que a televisão paulatinamente nos diz que é importante para vivermos bem. Por mais rico que o homem fosse no século XVIII ou XIX seu dinheiro era investido em outras coisas; conhecimento, por exemplo, pois não tinham tanta variedade de produtos a serem comprados. Hoje, influenciado pela mídia, o homem sem conhecimento e sem dinheiro trabalha 48 horas por mês, ou até mais, para comprar aquela TV que assistiu no comercial ou aquele calçado que viu na novela. O problema não se encontra em comprar a TV ou o calçado. O problema é que estamos sendo forçados a crer que são nesses produtos que encontraremos a felicidade ou uma vida mais aprazível.
Passamos por uma crise moral e religiosa que está em seu ponto máximo. Através da evolução cientifica o homem está deixando de crer em algo superior a ele, e não pôs nada equivalente em seu lugar. O Imperativo Categórico kantiniano seria um bom substituto. Mas o que está tomando lugar da religião e da moral são a mídia e o dinheiro.
Enfim, vivemos num tempo que se sente fabulosamente capaz de realizar todas as coisas, mas não se sabe o que realizar. Domina todas as coisas, mas não é dono de si mesmo. Sente-se perdido em sua própria abundância. Mesmo tendo mais meios, mais saber, mais técnicas do que nunca, o mundo atual acaba indo como o mais infeliz que possa ter havido: simplesmente à deriva.
Escrito por enoquejunior às 14h44
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|