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Blog de enoquejunior


Amores e temores

 

É a vida!

Esperança desiludida

Que se busca uma razão

 

Nos caminhos estreitos do ser

Que buscamos entreter

Com uma falsa ilusão

 

Nas estradas dessa vida

Uma alma contorcida

 A procura da emoção

 

Os caminhos vezes largos

 Que nos deixam como náufragos

 Sem saber a direção

 

E por vezes tão restritos

Nos transformam em detritos

Com rancor no coração

 

Desse modo logo assumem

Os seus postos de costume

 A tristeza e a decepção

 

E feitos flores nos tornamos

 E como o outono nos jogamos

 À companhia do frio chão

 

Rastejantes e feridos

Com o coração desiludido

Desacreditados na paixão

 

Caídos e pisados

Com os sentimentos humilhados

E sem nenhuma afeição

 

Com medo da recusa

Não encontramos uma musa

Para elevarmos a canção

 

E assim pelo caminho

Procuramos um carinho

Que nos levem pela mão

 

Mas a vida é tão maluca

E não pede nem desculpa

Pela sua imperfeição

 

E essa luz tão apagada

Num instante é atiçada

Como um olhar de um falcão

 

E o calor que estava ausente

E agora tão presente

Que desperta a atenção

 

É o amor, que por tempos tão sumido

Mas já não passa despercebido

Como o sol de um verão.

 

E o sofrimento passado

Foi de todo apagado

Para viver essa pulsão

 

Que por certo é normal

Mas que por todo tão vital

Como o urro de um leão

 



Escrito por enoquejunior às 19h26
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Te vi!

 

 

Ontem a vi, tudo bem, por enquanto

Mas não durou até causar-me espanto

Quando de repente puseste a sorrir

 

Seu sorriso de magna beleza

Tão profundo que me causa estranheza

Que por um momento não me pude sentir

 

Como fiquei por tempo assustado

Foi no exato momento, marcado,

Que deveria passar-me por ti

 

Não foi a toa que fiquei na agonia

Um estado tal de letargia

Que de súbito apoderou-se de mim

 

Arfando me pus a buscar

Um último resquício de ar

Que não mais queria vir

 

Hã! Tão bela estavas ali

Eu pensei por um momento em resistir

Em não passar-me por lá

 

Mas coragem me deu

Meu corpo logo estremeceu

E aos seus braços eu quis me jogar

 

Isso se deu em segundos

Mesmo depois de horas me confundo

Se foi um fato real

 

Passei por ti foi verdade

Mas o que me falta é coragem

De dizer que pra mim és vital

 

 

 



Escrito por enoquejunior às 18h13
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A rosa

 

Bela entre as belas

Mimosa e cheia de odor

Mas oculta traz seus espinhos

Que machucam que causam a dor

 

Rosa morena tão bela

Tão singela de altura e cor

Rosa, seja ela azul, amarela

Seu perfume transborda amor

 

Delicada, mas forte, selvagem

E invade os pensamentos meus

O que me falta rosa é coragem

De unir meus desejos aos seus

 

E pedir com muita devoção

Os carinhos que tende a dar

Que não falte espaço em seu ser

E me ame até os dias findar

 

Bela rosa de afeto e ternura

De beleza no mundo sem par

Como és bela de porte e brandura

Já te sinto sem ao menos tocar

 

Já te amo te odeio e te quero

Nos meus lábios pode-la beijar

Mas já sei que jamais serás minha

Pois ao monstro não é dado amar



Escrito por enoquejunior às 12h26
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A diferença

 

Valoroso cavaleiro das trevas

Escutai o que tenho a dizer

Acredito que aqui tem mais pedras

Do que julga na sua terra ter

 

Aqui tem morte aflição e dor

Tem angústia medo e rancor

Assassinos, ladrões, doenças

Enchentes, frio e secor

 

Tem inveja, ódio e traição

Tem terremoto, neve e vulcão

Tem miséria, pobreza e fome

E muitos que sequer tem um nome

 

Diga ai cavaleiro das trevas

Na sua morada tem mais mal que aqui?

Aqui tem homens quem sequer tem um lar

E lá todos têm onde dormir

 

Realmente concordou o andante

Lá todos que vão são iguais

Seja rico, pobre, preto ou branco

Porque lá já não são mais mortais

 

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por enoquejunior às 11h01
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Sozinho

 

O que pensas que sinto, que sou

Tu não sabes nem podes saber

Sou o nascido das cinzas senhor

Meu destino não é dado conhecer

 

Sou dono do meu caminhar

Caminhando resumo assim

Não existe caminho pra mim

Só sou dono do que inventar

 

Não respeito o que eu não gosto

Só suporto porque eu respeito

Imagine se gosto do que odeio

Não serei homem apenas um conceito

 

Se afaste de mim se quiser

Não me importo pela sua opinião

Não preciso de ti, nem ninguém

Vivo em meios aos outros, mas sou ermitão



Escrito por enoquejunior às 11h01
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A vida

 

Como pode algo assim existir

Vida desolada num mundo agitado

O pior é que muitos vivem assim

 

Os rostos se cruzar o olhar não

O pensamento flutua em outro rincão

 

As mentes tão cheias não pensam amor

Só, ficamos a procura de algo

Em algo sem nexo, algo sem valor

 

Não sabemos o que procuramos

Se um salário, um carro, um homem, uma mulher

Um amigo, um livro uma viagem qualquer

 

Assim caminhamos sem tal direção

Vagamos nas ruas tal cachorros ou não

Os anos se passam ai surge aflição

Se vivemos na verdade um falsa ilusão

 

Aos dezesseis muitos planos

Aos vinte alguns problemas

Aos trinta alguns dilemas

Aos quarenta arrependimentos

Aos cinqüenta vêm as nostalgias

Aos sessenta ressurgem crianças

Aos setenta sabedorias

 

E as conclusões que se tira?

 

Nenhuma com precisão e clareza

A passagem do caminho não é larga

Muito menos estreita

A morte abarca e leva e não tem recomeço

 

 

 

 

 



Escrito por enoquejunior às 10h59
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Reverberando

 

 

Pensei que pensava podia

Pensando que sabia pensar

No pensamento pensava pensando

De pensar pensei em falar

 

Falando falei que falava

Falácias falaria assim

Que queria dar um soco no mundo

E alguém que falasse por mim

 

Querendo quis que quisessem

Exigissem algo sem par

Tão grande foi minha surpresa

Que queriam fazer-me calar

 

Calei ao calar-me calando

Calado calei ao calar

Até levar um soco na boca

Num instante me pus a gritar

 

Gritando gritei gritaria

Até o mundo acabar

Alguém me disse gritando

Que em silêncio devia ficar

 

Silenciado em silêncio silenciei

Na verdade silenciaram assim

Aqueles que tudo sabiam

Não tinham ouvidos pra mim

 

De repente algo aconteceu

Me deram um golpe, não sei

Silenciado gritando calei

Querendo falando pensei.

 

 

 



Escrito por enoquejunior às 10h57
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