Itapuã - Vinicius de Moraes
 Partido Alto - Chico Buarque
 Uakti - Milton Nascimento
 Aguas de Março - Tom e Elis





Blog de enoquejunior


O projeto previa e caminhava pela via

E via

 

Surgia do desembaraço do meio

 

No anseio do compasso

E no meio

Do espaço

 

Morria

 

Não

O mar de ondas cálidas

De enxergar a terra pelas

Ondas

 

Trazendo vida

E carregando morte

Consorte

Do desamparo

Da luz

 

Tristeza melódica que conduz

A embriaguez do nada

 

E estabanada ria

De desespero e raiva

 

E morria de asfixia

Da podridão do homem

Que nem ligava

 

E

Ia!

 



Escrito por enoquejunior às 20h56
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



A marola

Embola

 

A imensidão absoluta

O álcool dificulta

 

A viagem espacial

Ou facilita, implica, ajuda

 

Três goles pra provar

Mergulho no mar

E converso com a sereia

 

Percebo que de cara não da pra prosa

E ela me conta um segredo

Que prendeu marinheiros

Por não se embriagar

 

Três goles complemento

Mais fôlego

Acrescento

E no fundo vou morar



Escrito por enoquejunior às 20h52
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



O Quarto

 

 

Vejo a luz no embaraço desse quarto.
Me falta algo, o afago e um retrato;
Componho letras na parede
com os dedos e apago.
 
Em seus retângulos pardos,
bebo em sua porta
e nada disso me importa
se não caio em mil fardos.
 
Aos amigos um abraço,
aos inimigos uma herança
é a eles que devo
esse derradeiro compasso.
 
Que melancolia
que abstração fortuita;
nem mais alegria,
nem menos tristeza.
 
E já me volto
sem ao menos partir,
aos que nunca vi
não será dessa vez com certeza.
 



Escrito por enoquejunior às 08h23
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Vázio 

 

Tem um monte ali.
Estão verdes é só chamar.
Mas existe um vazio,
Que não poderão completar.
 
É a dúvida, o receio, a pergunta,
Que não querem calar.
Mas não sei qual é, ao certo
para  se direcionar.
 
Estão verdes, e são muitos;
Outros estão cinza, mas logo
De verde farão.
Falam através do quadro,
Com frieza, sem muita emoção.
 
E assim vão,
Madrugas adentro.
Ora verde, ora cinza,
E às vezes com um traço vermelho.
 
A busca continua,
E os universos tenho lá.
O quadrado é poderoso
muito próximo do travesseiro.



Escrito por enoquejunior às 12h19
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



O que passa

 

 

Aquela árvore rosa que não mais tardara a ser verde.
Não pense que eu te escuto a gritar.
Andando pela calçada vejo, mas não me lembro,
de um dia vê-la passar.
 
Os verões passaram por ti, e o que via rosa de repente se foi.
Os ossos velhos do teu corpo anda
Mas não muito rápido para não quebrarem-se, pois.
 
O pasto encoberto de cinzas vejo quando atearam.
Fico de todo assustado
com medo, do modo que cortaram-te.
 
Insígnias parecem pois,
Devaneios tolos em meio a multidão.
Falácias de verdade em meio ao burburinho.
Me assunto no caminho
sem grande expressão
 
Aconteceu o difícil.
Me joguei do edifício
e cai no precipício
que precipitou sobre mim
 



Escrito por enoquejunior às 12h12
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Meio termo

 

 

Gira bola de terra, metal e ar.
Vai girando sem parar.
Não fico muito tonto
Por que giras devagar
 
Acelera, acelera seu giro.
E sem demora verás
Que aquele que não tem peso,
Num segundo voarás
 
E assim será melhor,
Menos peso sobre ti.
E aos muitos pesados,
Cave um buraco para cair
 
Nem pesado,
Nem leve.
Ao meio peso,
É o que se deve.
 



Escrito por enoquejunior às 12h06
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



A espera! 

 


O estranhamento se apodera.
Cercado de mim não me reconheço como tal;
Meu reflexo está distorcido.
Não me encontro
Toco no meu rosto, mas está mais áspero do realmente vejo.
Será que vejo o que vejo?
Será uma ilusão, a visão?
Ou o tato?
Qual dos dois me engana.
Resolvo me flagelar, quem sabe a dor me diz algo.
Gemo de dor,
Mas não a sinto
perdido em mim, não me encontro. O que acontece agora?
Busco uma saída.
Me embriago. Espero. Nada acontece, e não me entendo mais
Me perco em mim mesmo.
Mas como posso perder aquilo que não se tem?
Como se procura aquilo que não quer de verdade?
O que sou eu afinal, mente ou corpo?
Alma ou carne?
Ser ou não ser?
As soluções de questões nunca perguntadas me aparecem agora.
Devido minha recusa elas se expõem escancaradamente em minha frente.
Mas estou de óculos e não as enxergo.
Na verdade, eu a vejo, mas é só isso.
O que preciso saber de mim ou de algo?
Preciso viver.
Viver, respirar. Ora vai chegar que não mais viverei nem respirarei;
Ai tudo bem!
Procuro outra saída para continuar vivendo.
se não fisicamente!

Dou um jeito
Só falta saber como!

 

 



Escrito por enoquejunior às 11h43
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



A trova

 

A tristeza profunda da mente que vive de leituras

Seja romance, poesia ou literatura

A tristeza do homem que pensa

Sem poder, nem querer recompensa

 

Lê para tentar entender as demais coisas

Que dizem existir, ele lê e quer entender

Mas precisa de alguém pra ouvir

 

Ninguém ouve o homem de gênio

O de gênio, não o inventor

O que inventa só pensa em dinheiro

O de gênio na paz e amor

 

E na tristeza imagina com o sol

Numa trova que estende sem par

Mas sua hora de trabalho acabou

Deixa a lua a dialogar

 

Dona lua, dizia ao sol

Como é triste o caminho da terra

Muitos pensam em viver na labuta

E muitos só vivem de espera

 

De espera eu não entendi

Disse a lua de voz bem macia

Eu de noite trabalho pra todos

E o sol é quem clareia o dia

 

Justamente! À lua falei

Vocês dois sem distinção se apresentam

Aqui em baixo não é bem assim

Tem valor quem melhor se aparentam



Escrito por enoquejunior às 17h12
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Planeta

 

Girava o sol tão brilhante,

Em torno da terra parada,

Segura por seus elefantes,

E pilares que a sustentava.

 

Várias mentes de algo tão novo

Daquilo se acabrunhavam,

Não criam em algo tão pouco,

Teorias novas criaram.

 

Criaram idéias tão vis,

Que a fé eles contestaram.

Não podia ficar tão feliz,

À fogueira eles o lançaram.

 

Persistiram na força da mente

Pra provar o que aquilo pensaram,

Não ficara assim tão descrente.

Mas aos poucos eles conquistaram

 

O sol de repente parou

E a terra se locomoveu

Quem foi o grande inventor

Foi a lupa do tal Galileu.

 

Planetas novos surgiram

Com o alcance da nova invenção

Para o espaço na nave partiram

No encalço de outra nação

 

E terra que antes parada

Agora ela gira em torno

Mas a coisa está tão mudada

Tal querendo queimá-la com fogo

 

Os matos, os bichos a água

Que dantes tinha grande valia

Agora não passam de números

Para os donos dessas companhias

 

Aos poucos eu vejo o final

De algo que nunca queria

O fim do planeta é fatal

O que farão as mentes que cria.

 

 



Escrito por enoquejunior às 17h04
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Amores e temores

 

É a vida!

Esperança desiludida

Que se busca uma razão

 

Nos caminhos estreitos do ser

Que buscamos entreter

Com uma falsa ilusão

 

Nas estradas dessa vida

Uma alma contorcida

 A procura da emoção

 

Os caminhos vezes largos

 Que nos deixam como náufragos

 Sem saber a direção

 

E por vezes tão restritos

Nos transformam em detritos

Com rancor no coração

 

Desse modo logo assumem

Os seus postos de costume

 A tristeza e a decepção

 

E feitos flores nos tornamos

 E como o outono nos jogamos

 À companhia do frio chão

 

Rastejantes e feridos

Com o coração desiludido

Desacreditados na paixão

 

Caídos e pisados

Com os sentimentos humilhados

E sem nenhuma afeição

 

Com medo da recusa

Não encontramos uma musa

Para elevarmos a canção

 

E assim pelo caminho

Procuramos um carinho

Que nos levem pela mão

 

Mas a vida é tão maluca

E não pede nem desculpa

Pela sua imperfeição

 

E essa luz tão apagada

Num instante é atiçada

Como um olhar de um falcão

 

E o calor que estava ausente

E agora tão presente

Que desperta a atenção

 

É o amor, que por tempos tão sumido

Mas já não passa despercebido

Como o sol de um verão.

 

E o sofrimento passado

Foi de todo apagado

Para viver essa pulsão

 

Que por certo é normal

Mas que por todo tão vital

Como o urro de um leão

 



Escrito por enoquejunior às 19h26
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Te vi!

 

 

Ontem a vi, tudo bem, por enquanto

Mas não durou até causar-me espanto

Quando de repente puseste a sorrir

 

Seu sorriso de magna beleza

Tão profundo que me causa estranheza

Que por um momento não me pude sentir

 

Como fiquei por tempo assustado

Foi no exato momento, marcado,

Que deveria passar-me por ti

 

Não foi a toa que fiquei na agonia

Um estado tal de letargia

Que de súbito apoderou-se de mim

 

Arfando me pus a buscar

Um último resquício de ar

Que não mais queria vir

 

Hã! Tão bela estavas ali

Eu pensei por um momento em resistir

Em não passar-me por lá

 

Mas coragem me deu

Meu corpo logo estremeceu

E aos seus braços eu quis me jogar

 

Isso se deu em segundos

Mesmo depois de horas me confundo

Se foi um fato real

 

Passei por ti foi verdade

Mas o que me falta é coragem

De dizer que pra mim és vital

 

 

 



Escrito por enoquejunior às 18h13
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



A rosa

 

Bela entre as belas

Mimosa e cheia de odor

Mas oculta traz seus espinhos

Que machucam que causam a dor

 

Rosa morena tão bela

Tão singela de altura e cor

Rosa, seja ela azul, amarela

Seu perfume transborda amor

 

Delicada, mas forte, selvagem

E invade os pensamentos meus

O que me falta rosa é coragem

De unir meus desejos aos seus

 

E pedir com muita devoção

Os carinhos que tende a dar

Que não falte espaço em seu ser

E me ame até os dias findar

 

Bela rosa de afeto e ternura

De beleza no mundo sem par

Como és bela de porte e brandura

Já te sinto sem ao menos tocar

 

Já te amo te odeio e te quero

Nos meus lábios pode-la beijar

Mas já sei que jamais serás minha

Pois ao monstro não é dado amar



Escrito por enoquejunior às 12h26
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



A diferença

 

Valoroso cavaleiro das trevas

Escutai o que tenho a dizer

Acredito que aqui tem mais pedras

Do que julga na sua terra ter

 

Aqui tem morte aflição e dor

Tem angústia medo e rancor

Assassinos, ladrões, doenças

Enchentes, frio e secor

 

Tem inveja, ódio e traição

Tem terremoto, neve e vulcão

Tem miséria, pobreza e fome

E muitos que sequer tem um nome

 

Diga ai cavaleiro das trevas

Na sua morada tem mais mal que aqui?

Aqui tem homens quem sequer tem um lar

E lá todos têm onde dormir

 

Realmente concordou o andante

Lá todos que vão são iguais

Seja rico, pobre, preto ou branco

Porque lá já não são mais mortais

 

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por enoquejunior às 11h01
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Sozinho

 

O que pensas que sinto, que sou

Tu não sabes nem podes saber

Sou o nascido das cinzas senhor

Meu destino não é dado conhecer

 

Sou dono do meu caminhar

Caminhando resumo assim

Não existe caminho pra mim

Só sou dono do que inventar

 

Não respeito o que eu não gosto

Só suporto porque eu respeito

Imagine se gosto do que odeio

Não serei homem apenas um conceito

 

Se afaste de mim se quiser

Não me importo pela sua opinião

Não preciso de ti, nem ninguém

Vivo em meios aos outros, mas sou ermitão



Escrito por enoquejunior às 11h01
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



A vida

 

Como pode algo assim existir

Vida desolada num mundo agitado

O pior é que muitos vivem assim

 

Os rostos se cruzar o olhar não

O pensamento flutua em outro rincão

 

As mentes tão cheias não pensam amor

Só, ficamos a procura de algo

Em algo sem nexo, algo sem valor

 

Não sabemos o que procuramos

Se um salário, um carro, um homem, uma mulher

Um amigo, um livro uma viagem qualquer

 

Assim caminhamos sem tal direção

Vagamos nas ruas tal cachorros ou não

Os anos se passam ai surge aflição

Se vivemos na verdade um falsa ilusão

 

Aos dezesseis muitos planos

Aos vinte alguns problemas

Aos trinta alguns dilemas

Aos quarenta arrependimentos

Aos cinqüenta vêm as nostalgias

Aos sessenta ressurgem crianças

Aos setenta sabedorias

 

E as conclusões que se tira?

 

Nenhuma com precisão e clareza

A passagem do caminho não é larga

Muito menos estreita

A morte abarca e leva e não tem recomeço

 

 

 

 

 



Escrito por enoquejunior às 10h59
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]